A minha frequência cardíaca em repouso está baixa demais? Quando é forma física e quando não é
Muita gente abre o anel, vê uma frequência em repouso de 46 e vai à procura de sossego. Normalmente encontra-o: uma frequência baixa é um dos sinais mais claros de um coração eficiente. Mas esse «normalmente» trabalha muito nesta frase, e o que separa um coração treinado de um problema de condução não é o número. São os sintomas.
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Porque é que o teu número noturno parece alarmante
Um anel mede a frequência em repouso sobretudo enquanto dormes, que é quando ela está genuinamente mais baixa: o tónus parassimpático é máximo na parte mais profunda da noite e as frequências descem bastante abaixo do que medirias sentado no sofá. Isso significa que o número que vês todas as manhãs não é comparável ao que uma consulta tira contigo acordado numa cadeira. Um 47 noturno e um 62 no médico podem ser a mesma pessoa no mesmo dia, sem nada de errado em nenhum dos dois.
Quando uma frequência baixa é só forma física
O treino de resistência aumenta o volume sistólico: cada batimento move mais sangue, por isso são precisos menos batimentos. Atletas de resistência bem treinados andam habitualmente nos 40, e frequências nos 30 durante o sono estão documentadas nessa população. Se a tua frequência desceu aos poucos ao longo de meses de treino consistente, te sentes bem e subes escadas sem falta de ar invulgar, o número baixo é a adaptação que andavas a treinar.
Quando merece atenção
O sinal são os sintomas, não o número. Tonturas, cabeça leve ao levantar, desmaios ou quase desmaios, cansaço invulgar, falta de ar em esforços normais, desconforto no peito ou confusão a par de uma frequência baixa são razões para ires ao médico e não para leres mais um artigo. A bradicardia importa quando o coração está lento demais para a procura, e isso aparece em como te sentes, não como um limiar num gráfico. Uma queda súbita sem alteração de treino também merece ser vista, tal como uma frequência baixa em alguém que não treina de todo.
Causas que não são forma física
Há várias coisas banais que baixam a frequência cardíaca. Os betabloqueadores e outros fármacos cardíacos fazem-no por desenho. Também o pode fazer uma tiroide pouco ativa, algumas alterações de eletrólitos e apneia do sono não tratada — que pode produzir quedas durante a noite a par de descidas de SpO2 e um traçado inquieto. A idade também afeta o sistema de condução. Nada disto se diagnostica a partir de um anel, e tudo isto é normal investigar com um profissional se o quadro encaixar.
O que fazer com o número
Acompanha a tendência, não o valor. Uma frequência em repouso a descer devagar ao longo de meses de treino é a boa história. Uma que sobe durante uns dias costuma ser doença, álcool, calor ou uma sessão dura — e uma que cai de repente sem explicação é a que vale a pena mencionar na próxima consulta. Acima de tudo, não te diagnostiques com um vestível: um anel mede um pulso no dedo, não lê a atividade elétrica do coração, e só um eletrocardiograma diz o que o ritmo está mesmo a fazer.
O Vitra lê a tua frequência em repouso, VFC e sono do Oura no teu Mac ou PC e mostra cada um contra a tua própria linha de base móvel, para que uma mudança real se distinga de uma má noite qualquer. Esse contexto é o que torna um número baixo legível — mas é contexto, não um diagnóstico. Informação geral, não aconselhamento médico; se tiveres sintomas, fala com um profissional de saúde.
Perguntas frequentes
O Pedro Thomaz desenvolve o Vitra, uma aplicação de secretária que lê os dados do Oura contra a tua própria linha de base em vez de uma média populacional. Usa um anel diariamente há anos e vê estes mesmos números todas as manhãs — é daí que vem quase tudo o que aqui se escreve. O Vitra não é um dispositivo médico e nada neste blog é aconselhamento médico.
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