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Procrastinação de vingança à hora de dormir: a hora que recuperas

Escrito por Pedro Thomaz · 6 MIN DE LEITURA ·

É meia-noite, tens trabalho de manhã, não estás a fazer nada a que chamasses valioso, e não vais para a cama. Os investigadores deram-lhe nome em 2014: procrastinação da hora de deitar, não ires dormir à hora prevista quando nada externo o impede. O vingança veio depois, de gente que descrevia isto como reaver horas de um dia que pertencia a outros — e é precisamente esse enquadramento que faz os conselhos de higiene do sono ressaltarem.

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Não é insónia, e isso interessa

A insónia é quereres dormir e não conseguires. Isto é a falha ao contrário: o sono está disponível e tu recusa-lo. A distinção não é pedantismo, porque muda o que resulta. Os conselhos de higiene do sono virados para adormecer — quarto mais fresco, sem ecrãs na cama, rotina de descida — apontam a um problema que não tens. Nada te mantém acordado; simplesmente não foste.

O artigo de 2014 que introduziu o termo encontrou que a procrastinação da hora de deitar se associava a menor autorregulação e previa relatos de sono insuficiente para além da demografia. É essa a forma da coisa: pertence à família de deixar a loiça por lavar, não à de estar acordado às três.

Porque é que o enquadramento de vingança pega

O termo espalhou-se porque deu nome a um motivo que as pessoas reconheceram. Um dia inteiro de obrigações — trabalho, deslocações, cuidar, tarefas — não deixa nenhum bocado de tempo que seja teu, e as horas em que toda a gente já dorme são as únicas sobre as quais ninguém tem direitos. Visto assim, ficar acordado não é falta de disciplina, é um pequeno ato de reaver. O problema é que a moeda com que pagas é a manhã seguinte, e o imposto cai sobre a mesma pessoa que estava a reaver.

O que os teus dados mostram de facto

Uma assinatura característica, e invulgarmente legível. A hora a que acordas quase não se mexe, porque a seguram um despertador e um emprego. A hora a que te deitas vai derivando, às vezes dez minutos por noite durante quinze dias. Por isso o sono total desce, o ponto médio do teu sono desliza para mais tarde e a regularidade noite a noite cai — enquanto a qualidade do sono pode não mudar nada. As noites que consegues são muitas vezes boas. Só há menos horas delas.

A parte da regularidade merece ser levada a sério e não tratada como arrumação. Num estudo com quase 61 000 pessoas com acelerómetro, o quão regular era o sono previu a mortalidade com mais força do que o quão longo era. Um padrão que corrói a regularidade em silêncio não é um problema cosmético do teu gráfico.

O que ajuda mesmo

Como a falha está na decisão e não na almofada, o que funciona é tirar a decisão do caminho. Põe um alarme para ires deitar-te, não só para te levantares. Decide de antemão qual é a última coisa da noite — um episódio, um capítulo, uma partida — para que acabá-la seja o sinal e não o início de uma negociação contigo próprio. E põe o tempo reavido noutro sítio: meia hora protegida a seguir ao trabalho é a mesma hora, cobrada a um preço que não pagas às 7 da manhã.

Uma ressalva honesta. Se te deitas com regularidade e não consegues dormir, o problema não é este e o conselho acima é o errado: o tratamento com maior apoio nas orientações para a insónia crónica é a terapia cognitivo-comportamental para a insónia, não mais higiene do sono.

Lê-lo contra a tua própria linha de base

É um padrão que se vê se olhares para a coisa certa. Segue a tua hora de deitar e o ponto médio do teu sono ao longo de um mês e não de uma noite, porque a deriva é lenta e nenhuma noite isolada parece um problema. O Vitra desenha isso contra a tua própria história, na tua própria máquina, por isso a forma aparece como um declive e não como um veredicto sobre ontem — e um declive ainda é coisa sobre a qual podes agir.

Perguntas frequentes

O que é a procrastinação de vingança à hora de dormir?
Adiar o sono para reaver tempo pessoal de um dia que se sentiu inteiramente entregue a obrigações. Os investigadores chamam ao comportamento de base procrastinação da hora de deitar — não ir para a cama à hora prevista sem nada externo a impedir — e em 2014 ligaram-na a menor autorregulação e a sono insuficiente.
É o mesmo que insónia?
Não, e tratá-la como insónia é a razão de os conselhos de higiene do sono ressaltarem. A insónia é quereres dormir e não conseguires; isto é recusares sono que está disponível. Se te deitas mesmo e não consegues dormir, o tratamento apoiado pelas orientações é a terapia cognitivo-comportamental para a insónia.
Como deixo de adiar a hora de deitar?
Tira a decisão do caminho em vez de tentares ganhá-la. Põe um alarme para te deitares, decide antes qual é a última coisa da noite para que acabá-la sirva de sinal, e protege algum tempo mais cedo no dia para que a noite não seja a única hora que te pertence.
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Sobre o autor
Pedro Thomaz

O Pedro Thomaz desenvolve o Vitra, uma aplicação de secretária que lê os dados do Oura contra a tua própria linha de base em vez de uma média populacional. Usa um anel diariamente há anos e vê estes mesmos números todas as manhãs — é daí que vem quase tudo o que aqui se escreve. O Vitra não é um dispositivo médico e nada neste blog é aconselhamento médico.

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