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Dormir numa onda de calor: porque é que as noites quentes estragam o sono

Escrito por Pedro Thomaz · 6 MIN DE LEITURA ·

O teu corpo tem de arrefecer para adormecer. A temperatura central desce cerca de um grau enquanto adormeces e mantém-se baixa durante a noite: essa descida faz parte do mecanismo, não é um efeito secundário. Um quarto quente impede-a, e é por isso que as noites de onda de calor parecem partidas de uma forma que nada tem a ver com o cansaço que trazias.

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Porque é que calor e sono são fisicamente incompatíveis

Adormecer exige largar calor, sobretudo pela pele das mãos e dos pés, e isso só funciona se o quarto estiver mais fresco do que tu. Quando não está, o adormecer alonga-se e a noite fragmenta-se. O sono REM é o mais penalizado, por uma razão curiosa: durante o REM o teu corpo deixa em grande medida de regular a própria temperatura, ficando invulgarmente exposto ao que o quarto faz. Por isso as noites quentes custam sobretudo sono de sonhos, e por isso são as últimas horas — onde o REM se concentra — que se desfazem.

Como é uma noite quente nos teus dados

O padrão é bastante constante: desvio de temperatura da pele em alta, adormecer mais demorado, mais tempo inquieto, menos sono profundo e bastante menos REM, frequência cardíaca em repouso elevada e VFC deprimida. A prontidão desce atrás de tudo isso. Empilhado numa só manhã pode assustar, mas nada ali indica um problema teu: é o teu corpo a fazer trabalho de termorregulação a noite inteira em vez de descansar. O sinal fala do quarto.

Calor ou doença? A sobreposição que engana

Esta é a distinção mesmo útil, porque ambos sobem temperatura e frequência cardíaca enquanto baixam a VFC. Há duas coisas que os separam. Primeiro, a frequência respiratória: uma infeção costuma elevá-la claramente acima da tua linha de base, ao passo que o calor sozinho normalmente não. Segundo, a forma ao longo dos dias: o calor acompanha o tempo — as más noites chegam com a onda e passam quando ela quebra, e lá em casa queixa-se toda a gente. A doença costuma instalar-se num ou dois dias e persiste depois de o tempo mudar. Se os teus números continuam maus quando as noites arrefecem, deixa de culpar o calor.

O que ajuda mesmo

Arrefecer o quarto vale mais do que arrefeceres-te a ti, por isso, se tiveres alguma forma de baixar a temperatura do ar, é essa a jogada de maior valor. O fluxo de ar de uma ventoinha ajuda mesmo sem arrefecer o ar, porque favorece a perda de calor por evaporação. Um duche morno — não frio — uma a duas horas antes de te deitares funciona melhor do que parece: leva sangue à pele e acelera a descida de temperatura que se segue. Mantém pés e mãos destapados, que são os teus radiadores principais. E alivia mais a roupa de cama do que a de dormir: um lençol que consegues afastar vale mais do que um edredão debaixo do qual transpiras.

O que não vale a pena

Não persigas o sono perdido com uma manhã longa na cama: atrasa o teu horário e agrava o problema ao longo de vários dias de calor, precisamente quando a regularidade é das poucas coisas que ainda controlas. Não bebas muito líquido mesmo antes de deitar para compensar; hidrata-te ao longo da noite, ou trocas despertares por calor por despertares para ir à casa de banho. E não trates uma série de prontidões baixas durante uma onda de calor como um veredicto sobre o teu treino. É carga ambiental, é temporária, e aliviar um pouco é uma resposta sensata; alarmares-te não é.

O Vitra corre no teu Mac ou PC e lê as tuas fases de sono, desvio de temperatura corporal, frequência cardíaca em repouso e VFC do Oura contra a tua própria linha de base móvel, por isso uma onda de calor aparece como aquilo que é: um conjunto de noites que se moveram juntas, não um declínio pessoal. As etiquetas deixam-te marcar as noites quentes e ver o padrão da semana, tudo calculado localmente e sem que os teus dados de saúde saiam da tua máquina. Informação geral, não aconselhamento médico: se houver febre ou falta de ar, isso decide-se com um profissional, não com um anel.

Perguntas frequentes

Qual é a melhor temperatura do quarto para dormir?
A maioria das orientações aponta para algo à volta de 16 a 19 °C, embora a zona confortável seja individual. O que importa fisiologicamente é que o quarto esteja suficientemente fresco para o teu corpo largar calor, já que a temperatura central tem de descer cerca de um grau para adormeceres e te manteres a dormir. O fluxo de uma ventoinha ajuda mesmo quando não consegues baixar a temperatura do ar.
Porque é que o calor reduz sobretudo o sono REM?
Durante o REM o teu corpo suspende em grande medida a regulação da própria temperatura — não tremes e quase não transpiras — o que te deixa invulgarmente exposto ao quarto. Num quarto quente, os períodos de REM tendem a ser encurtados e, como o REM se concentra na segunda metade da noite, as noites quentes desfazem-se muitas vezes de madrugada.
Como sei se o anel está a mostrar calor ou doença?
Ambos sobem a temperatura corporal e a frequência em repouso enquanto baixam a VFC. A frequência respiratória é o melhor separador: as infeções costumam empurrá-la claramente acima da tua linha de base e o calor sozinho normalmente não. O momento também ajuda: o calor acompanha o tempo e passa com ele, enquanto a doença se instala num ou dois dias e persiste quando as noites arrefecem.
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Sobre o autor
Pedro Thomaz

O Pedro Thomaz desenvolve o Vitra, uma aplicação de secretária que lê os dados do Oura contra a tua própria linha de base em vez de uma média populacional. Usa um anel diariamente há anos e vê estes mesmos números todas as manhãs — é daí que vem quase tudo o que aqui se escreve. O Vitra não é um dispositivo médico e nada neste blog é aconselhamento médico.

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