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Podes usar dois trackers ao mesmo tempo?

Escrito por Pedro Thomaz · 6 MIN DE LEITURA ·

Um anel no dedo, um relógio no pulso, e duas apps a discordar sobre a mesma noite. Usar ambos é possível e muitas vezes esclarecedor. Fundir o que produzem num único histórico é onde corre mal — e o motivo é mais específico do que “os aparelhos são diferentes”.

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As medições quase concordam. As pontuações nunca vão concordar.

Dois aparelhos a medir a tua frequência cardíaca durante a noite ficam perto um do outro, porque um batimento é um acontecimento observável. Os passos variam um pouco com a posição. Os horários de sono costumam ficar a poucos minutos.

Depois cada marca pega nessas entradas e produz um número de recuperação — Readiness, Recovery, Nightly Recharge, Body Battery — e esses números não são medições. São a saída de um modelo privado, numa escala que a marca inventou, com pesos que ninguém publica. Um 74 de uma marca e um 74 de outra são dois factos sem relação que calham partilhar um algarismo.

Porque é que fundir estraga sem se notar

Qualquer app que valha a pena compara-te contigo. Constrói uma linha de base a partir do teu passado e diz-te como está hoje face a ela. Mete lá as pontuações de duas marcas e obténs a média de duas definições diferentes de boa noite — uma referência que não descreve nenhum dos aparelhos e por isso não te descreve a ti. O estrago é subtil, e é isso que o torna mau: nada dá erro, os gráficos continuam plausíveis, e o conselho vai deixando de encaixar.

O mesmo vale para a VFC. Os aparelhos diferem na janela de amostragem, no local do sensor e na filtragem, por isso os valores absolutos não são intermutáveis mesmo estando ambos tecnicamente certos. As bases têm de ser construídas por aparelho.

Quando usar dois é mesmo útil

Usa os dois à vontade. É a forma mais rápida de perceber quanto de um “dia mau de recuperação” é o teu corpo e quanto é o teu aparelho — se só um deles acha que dormiste mal, isso diz-te algo sobre o sensor e não sobre ti. É também a forma sensata de mudar de aparelho: sobrepõe-nos umas duas semanas, vê onde diferem sistematicamente, e conta com um degrau nas pontuações quando trocares — não porque a tua saúde mudou, mas porque a régua mudou.

O que não funciona é tratar o par como um único registo mais longo. Dois históricos sobrepostos são dois históricos.

A divisão que interessa mesmo

A pergunta útil não é “quantos aparelhos” mas “que tipo de número”. Uma construção pontuada por uma marca — prontidão, pontuação de sono, percentagem de recuperação, linha de base de VFC — deve vir de exatamente uma fonte, para sempre. Uma medição física — quilogramas, percentagem de massa gorda, milímetros de mercúrio, eventos respiratórios por hora — pode vir de qualquer lado, porque um quilograma é um quilograma seja quem for a pesar.

Por isso uma balança, um medidor de tensão ou um tapete de sono debaixo do colchão podem viver ao lado do teu anel sem tocar nas tuas bases. Um segundo anel de recuperação não pode.

Como o Vitra resolve isto

O Vitra escolhe um aparelho como base — o que produz construções pontuadas — e tudo o resto assenta por cima como medições. O Oura é o predefinido e o aparelho em torno do qual o Vitra foi desenhado; Polar e Withings estão a ser acrescentados como bases alternativas para quem tem esses, um de cada vez, de propósito. Balanças e medidores de tensão somam-se à base que escolheres.

Quando o aparelho muda, o Vitra diz-te o que isso significa para o teu histórico em vez de fingir que os dois são contínuos. Essa honestidade custa um gráfico mais bonito e compra um número sobre o qual podes agir.

Perguntas frequentes

Podem usar-se dois trackers ao mesmo tempo?
Sim, e pode ser esclarecedor — é a forma mais rápida de ver quanto de um dia mau de recuperação vem do corpo e quanto vem do sensor. O que não funciona é fundir as saídas num só histórico, porque a pontuação de recuperação de cada marca é um modelo privado numa escala inventada por ela.
Porque é que os meus dois trackers dão pontuações diferentes para a mesma noite?
Porque uma pontuação de recuperação não é uma medição. Cada marca pesa sono, VFC, frequência cardíaca e atividade de forma diferente, numa escala que definiu, e por isso os números não são comparáveis mesmo quando as medições de base coincidem. Compara uma pontuação apenas com o teu próprio histórico no mesmo aparelho.
O que acontece à minha linha de base quando mudo de aparelho?
Conta com um degrau nas pontuações que reflete a régua nova e não uma mudança na tua saúde. As bases têm de ser reconstruídas por aparelho, o que costuma levar umas duas semanas. Sobrepor o antigo e o novo nesse período é a forma mais limpa de ver onde diferem sistematicamente.
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Sobre o autor
Pedro Thomaz

O Pedro Thomaz desenvolve o Vitra, uma aplicação de secretária que lê os dados do Oura contra a tua própria linha de base em vez de uma média populacional. Usa um anel diariamente há anos e vê estes mesmos números todas as manhãs — é daí que vem quase tudo o que aqui se escreve. O Vitra não é um dispositivo médico e nada neste blog é aconselhamento médico.

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