Porque é que os teus treinos do Strava não estão nos dados do Oura
Ligas o Strava ao Oura, a tua saída de sábado aparece na app, e depois não está no teu export — nem em nenhuma ferramenta que ligues. Não é uma falha de sincronização nem coisa que uma app melhor resolva. Os treinos importados de outro serviço vivem de um lado de um muro que a API pública não atravessa.
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O que a API devolve mesmo
A API do Oura expõe o que o anel registou: sono, prontidão, atividade, frequência cardíaca, temperatura, e os treinos que o próprio anel detetou ou que registaste dentro da app do Oura. Sessões que chegaram de um serviço ligado — Strava, Polar, Apple Health, Garmin através de uma integração — são-te mostradas na app mas não fazem parte do que a API entrega.
É fácil confirmar nos teus próprios dados. Conta os treinos na app do Oura num dado mês e depois conta o que uma ferramenta ligada recebe. Se uma parte das tuas saídas veio do Strava, o segundo número é menor, e sincronizar outra vez não muda nada.
Porque funciona assim
Provavelmente pela razão banal: uma sessão importada é o registo de outra empresa, e reexportá-la por uma API pública significa redistribuir dados que aceitaste partilhar com o Oura e não com todos os que falam com o Oura. Seja qual for o raciocínio, a situação é estável há anos, por isso vale mais planear em torno dela do que esperar que mude.
O que isto significa para qualquer ferramenta que ligues
Tudo o que lê os teus dados do Oura pela API — um painel, uma folha de cálculo, uma app de secretária, a plataforma de um treinador — vê o mesmo retrato parcial. Se te mostra uma carga de treino semanal, falta-lhe as sessões importadas. Se correlaciona recuperação com treino, a correlação é calculada sobre o subconjunto que a API devolveu.
O modo de falha a vigiar é o silêncio. Uma ferramenta que apresenta discretamente uma semana incompleta como completa é pior do que uma que te mostra o buraco, porque vais agir sobre ela: uma app que não vê a saída de quatro horas de sábado vai dizer-te que a prontidão baixa de domingo é um mistério.
O que podes fazer
Três coisas ajudam. Regista as sessões que interessam diretamente na app do Oura em vez de contares com a importação, se o anel não as detetou sozinho — um treino adicionado à mão é registo do próprio Oura e esse passa. Mantém o teu histórico de treino onde foi registado, no Strava ou na plataforma do teu relógio, e trata os dados do anel como a metade de recuperação do retrato e não como o retrato todo. E quando uma ferramenta te disser algo sobre carga de treino, vê se diz de onde vieram as sessões.
Como o Vitra lida com isto
O Vitra lê a API do Oura, por isso tem exatamente o mesmo teto — não existe versão disto em que uma app de terceiros veja mais do que a API devolve. O que o Vitra faz é recusar-se a disfarçar: os treinos que não recebeu não são silenciosamente diluídos numa média, e não te apresenta uma carga de treino como se fosse completa quando a semana por baixo não é.
É uma coisa pequena que decide uma grande. Uma app que finge que os dados dela são totais é uma app em que não deves acreditar da próxima vez que te disser para descansar.
Perguntas frequentes
O Pedro Thomaz desenvolve o Vitra, uma aplicação de secretária que lê os dados do Oura contra a tua própria linha de base em vez de uma média populacional. Usa um anel diariamente há anos e vê estes mesmos números todas as manhãs — é daí que vem quase tudo o que aqui se escreve. O Vitra não é um dispositivo médico e nada neste blog é aconselhamento médico.
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